O Polo e a instrução da Tropa Blindada

Extrato do livro “A Força Mecanizada”, de autoria de Paul C. Raborg, 1947.

O treino de cavalaria dos tempos idos é por excelência a base de experiência do oficial do serviço blindado de nossos dias, porque nele instilou a vontade de romper. É esse o fundamento do Serviço Blindado dos Estados Unidos. O General Adna R. Chaffee, seu organizador, era um cavalariano notável e impetuoso. Muitos de seus oficiais subordinados fizeram parte de nosso serviço montado, na cavalaria ou na artilharia de campo. O Polo foi principalmente introduzido no Exército e aconselhado pelo Departamento de Guerra porque simula a ação de choque montado. Esse jogo ensina aos oficiais a tomar decisões imediatas enquanto galopam a toda velocidade e sob influência de grande excitação. A necessidade de decisões rápidas para oficiais de tanque correndo com a velocidade de um automóvel é ainda maior.

Depois da Primeira Guerra Mundial, Adna Chaffee empenhou todos os seus esforços na instituição de um verdadeiro serviço mecanizado em nosso exército. Ao ser promovido a brigadeiro em 1938, deram-lhe o comando de nossa única brigada de cavalaria mecanizada naquela ocasião, a qual consistia em motocicletas, carros de investigação, carros blindados e tanques ligeiros (10 toneladas). Neste posto, Chaffee criou uma base ideal para o nosso atual serviço blindado. Senti verdadeiro choque ao ver o General Chaffee e sua brigada de cavalaria mecanizada desfilar pela Quinta Avenida de Nova York, sob estandartes amarelos de nossos antigos regimentos de cavalaria regular, com os guiões brancos e encarnados tremulando sobre tanques e não sobre cavalos e os sabres cruzados dos cavalarianos estampados nos lados dos veículos motorizados, o que demonstrava claramente que a cavalaria de ontem é o corpo de tanques de hoje.

“SURDINHO” SALVOU A CAVALHADA DOS DRAGÕES

Nos idos dos anos 60/70, houve uma avalanche de transferências de órgãos públicos federais do Rio (ex-capital) para Brasília (nova capital do País). Quando chegou a vez de se transferir o 1o RC Gd – 1oRegimento de Cavalaria de Guardas, “Os Dragões da Independência”, encarregados da guarda e do cerimonial da Presidência da República, o problema maior foi com o transporte de centenas de cavalos que eram os “mimos” de todos os integrantes do regimento. Houve um momento em que alguém responsável pela mudança das unidades militares perguntou ao comandante dos “Dragões”, Cel João Baptista Figueiredo (futuro presidente da República), se não seria mais fácil e econômico descartar toda a cavalhada (com alguns anos de serviço) e comprar outra mais nova lá no Brasil Central. Figueiredo, indignado com tal proposta, retrucou de pronto: 

– De jeito nenhum! Muitos desses animais têm quase 20 anos de adestramento para as mais variadas atividades, da escolta a cavalo até o desfile da tropa. Inclusive, toda a banda de música desfila montada, tocando seus instrumentos musicais. 

E, para exemplificar melhor suas alegações, mandou trazer, para mostrar a seu interlocutor, o cavalo “Surdinho”, que mal se aguentava nas pernas de tão velho, mas ostentava o garbo dos animais mestiços criados no pampa gaúcho. 

– Tá vendo este aqui? É o cavalo “Surdinho”, que carrega os dois bumbos da banda do regimento. O músico solta as rédeas e fica batendo naqueles tambores barulhentos e ensurdecedores, um de cada lado da sela, sem que o “Surdinho” saia dos trilhos no desfile. Imagina quanto tempo vai levar para se treinar outros (e deixá-los surdos, inclusive…) 

Graças ao “Surdinho”, ninguém mais falou em descartar os velhos cavalos dos Dragões, que chegaram sãos e salvos em Brasília, prestando ainda muitos anos de serviços aos presidentes JK, Jango, Castelo Branco, até serem substituídos. 

Autor: Cel Brasil Carus. Publicado no Jornal Diário da Fronteira em 17 AGO 2011.

Bronca por causa do nome

Tenho um colega e grande amigo que serviu há muitos anos comigo no antigo 8o Regimento de Cavalaria, como tenente, que se chama Luiz Carlos Prestes, porque seu pai, “seu Prestes” – não preciso dizer – era grande admirador do episódio histórico da Marcha da Coluna Prestes, realizada pelo então capitão Luiz Carlos Prestes (foto), que mais tarde declarou-se comunista. Quando cadete da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), meu amigo Luiz Carlos foi gozar suas férias em Santana do Livramento, sua terra natal, onde residiam seus familiares. Como era de praxe, dirigiu-se a um dos quartéis do Exército na cidade, para a apresentação devida. O comandante era um velho coronel bigodudo, daqueles grosso uma barbaridade, e anticomunista de faca na bota. 

Nervoso diante daquele Coronel com cara de mau, o cadete Luiz Carlos, na posição de sentido, faz a continência e se apresenta: 

– Cadete Luiz Carlos Prestes, apresentando-se por… 

Mas não conseguiu articular nenhuma palavra mais, interrompido pelos gritos do coronel: 

– Oficial do dia, um comunista no meu quartel. Prendam este cadete! 

Foi um corre-corre de oficiais para acalmar o velho e tranquilizar o pobre do cadete, apavorado com a violenta reação do comandante. 

Autor: Cel Brasil Carus. Publicado no Jornal Diário da Fronteira em 8 JUL 2011.

A vida do Marechal Osório

Manuel Luís Osório vem ao mundo filho de um casal unido pelo amor. Seu pai, Manuel Luís da Silveira, descende de açorianos que se estabelecem em Santa Catarina. Era militar e já havia atingido o posto de furriel em 1796 quando se rebela contra um chefe que praticava atos exorbitantes contra um mísero soldado. Preso, não se conforma e foge em direção ao Rio Grande do Sul. Chegando a Rio Grande de São Pedro, é bem recebido na estância do Tenente Tomás José Luís Osório, no município de Conceição do Arroio. Logo adquire a confiança e estima do dono da estância e de sua filha, Ana Joaquina. Ao correrem as proclamas de casamento, o pároco muda o nome para Manuel Luís da Silva Borges, a fim de que escape à perseguição por ser desertor. Colocará nos filhos o sobrenome Osório, por consideração à esposa e ao sogro que o protegera na desgraça. Não consegue permanecer tranqüilo, pois logo retorna às armas, para a guerra de 1811 no Estado Oriental. Retorna como capitão e condecorado por bravura. Retoma sua vida pacífica de pequeno estancieiro mas, quatro anos mais tarde, parte de novo para a guerra, é a campanha de 1816 a 1821, na qual toma parte sem interrupção. Não consegue mais descanso, pois participará da Guerra de Independência e das campanhas que lhe seguem. Para a Guerra de Independência, conduzirá o filho Manuel Luís, com apenas 14 anos, em quem via imensa aptidão para a carreira militar. 

Continue lendo “A vida do Marechal Osório”

Hino ao General Osorio

Em 1° de agosto de 1859, amigos de Osorio terminaram de escrever um hino dedicado ao Marechal. Em 1990, essa canção foi resgatada e publicada no álbum “Amor Febril – a memória da canção militar no Brasil”, lançado pela GBOEx. O trabalho de resgate foi feito pelo maestro Geraldo Flack. Na foto, encontra-se a partitura desse hino, cuja letra encontra-se transcrita abaixo:

Continue lendo “Hino ao General Osorio”

Osorio sem acento

Em princípio, por ser uma paroxítona terminada em ditongo decrescente, a palavra “Osorio” deveria ser acentuada. No entanto, a família Osorio adotou a utilização do nome sem acento. Pode-se observar na imagem ao lado a assinatura verídica de Manoel Osorio.

Seu pai, o tenente-coronel Manoel Luis da Silva Borges, deu ao filho seu próprio nome (Manoel Luis) e o sobrenome da mãe Ana Joaquina Luísa Osorio, não só para homenageá-la, mas também ao sogro, o Tenente Thomaz José Luis Osorio, que o abrigou e protegeu quando jovem.

Concluindo, a escrita correta do nome do Patrono da Cavalaria se faz sem acento.

José Joaquim de Andrade Neves

(Rio Pardo, Rio Grande do Sul, 22 de janeiro de 1807 – Assunção, Paraguai, 9 de janeiro de 1869), Barão do Triunfo, grande general brasileiro comandante de uma das colunas do Exército brasileiro).

VIDA MILITAR DO GENERAL JOSÉ JOAQUIM DE ADRADE NEVES

Nasceu na vila de Rio Pardo, província de S. Pedro do Rio Grande do Sul, a 22 de Janeiro de 1807, filho de major José Joaquim de Figueredo Neves e D. Francisca Thomásia de Andrade Neves.

Assentou praça, como 1º cadete, no 5º Regimento de Cavalaria de Linha, em 22 de Novembro de 1826. Um ano depois, seu pai, dele precisando para atender os encargos da sua modesta família; deu um substituto serviço militar, como então a lei permitia.

A revolução, em que 20 de Setembro de 1835 irrompeu em sua província natal, levou-o novamente às armas, como voluntário da Guarda Nacional, em defesa da causa legal.

Nas diferentes pelejas que se feriram nessa luta de irmãos, Andrade Neves, em menos de um ano, deixou firmada sua reputação militar, demonstrando sua índole guerreira indômita bravura nos combates.

Continue lendo “José Joaquim de Andrade Neves”

Ten Gen Victorino José Carneiro Monteiro

Barão de São Borja

(1816 – 1877)

Victorino José Carneiro Monteiro nasceu em 1816, na capital da Província de Pernambuco. Foi eleito Alferes por eleição popular após ter lutado voluntariamente na Revolução de Panelas e Jacuípe em sua terra natal. Em 1837 foi promovido pelo Governo a Tenente e depois Capitão. Expedicionou para o Rio Grande do Sul e durante a Revolução Farroupilha resistiu bravamente a um cerco feito pelos rebeldes. Participou de toda a Campanha do Estado Oriental do Uruguai, sendo condecorado com a Medalha de Ouro da referida campanha. Foi promovido a Tenente-Coronel e a Coronel por merecimento e passou a servir no 4º Regimento de Cavalaria. Em 22 de Janeiro de 1866 foi promovido a Brigadeiro. Fez toda a campanha do Paraguai, tendo tomado parte saliente em todas as grandes ações. Destaca-se sua atuação no dia 21 de outubro de 1867, quando comandou toda a força de Cavalaria em Tuiú-Cuê, transpondo um banhado, cortou a retaguarda das forças inimigas e a tropa a seu comando foi primeira a entrar no renhido e mortífero combate com o inimigo. Foi promovido a Marechal-de-Campo em 11 de Dezembro de 1867. Comandou o 2º Corpo de Exército até o final da Guerra. Foi agraciado com o título de Barão de São Borja em decreto de 18 de Maio de 1870. Em 1877 foi promovido a Tenente-General. Faleceu no dia 24 de outubro de 1877 em Porto Alegre.