Coisas de Cavalaria

Desde os tempos mais remotos o homem persegue a idéia de combater em VANTAGEM DE POSIÇÃO. Isto é, de uma forma que lhe garanta mais facilidade para se bater com seu oponente.

Esta VANTAGEM DE POSIÇÃO era obtida há muitos milhares de anos montando um elefante ou subindo em uma plataforma empurrado por outros soldados. O idioma sânscrito, raiz de tantos outros, designava a milênios esta forma de combater em VANTAGEM DE POSIÇÃO como AKVA.

Mais tarde, o cavalo domado passou a ser utilizado para se combater em VANTAGEM DE POSIÇÃO. Os romanos utilizavam o cavalo castrado para o combate e o cavalo inteiro para outras atividades, principalmente para o esporte. 

Ao cavalo de combate chamavam de CABALLUS, corruptela do original sânscrito AKVA. Ao cavalo inteiro, o animal de trabalho doméstico e esporte, chamavam EQUUS. Havia pois, naquela época, a preocupação de associar a designação terminologia do animal ao fim a que se destinava.

A ação caldeadora do tempo, entretanto, acabou distorcendo a função etimológica inicial daquelas duas palavras. Porque no combate, para se obter aquela VANTAGEM DE POSIÇÃO, se utilizava o animal macho, mais forte, CABALLUS ficou sendo a designação genérica alusiva a todo animal macho, castrado ou não, e EQUUS a palavra para o animal fêmea.

Essa distorção todos os idioma s latinos herdaram. Os idiomas saxônicos , não mantiveram-se fiéis aos conceitos primitivos. Por isso que não fazem confusão entre a forma de combate, o combater em VANTAGEM DE POSIÇÃO ( em inglês, por exemplo, isso é CAVALRY) e o animal ( em inglês cavalo é HORSE ).

Cavalaria, pois, como é entendido em terminologia militar, designa uma forma de combate, e essa forma utilizou o cavalo , o elefante, os carros de guerra , as plataformas empurradas por soldados e, atualmente os carros de combate, os blindados, viaturas leves e , em alguns exércitos, os helicópteros.

CAVALARIA pois,  sempre significou uma forma de combater ( AKVA), o animal que por milênios foi empregado por ela para combater em VANTAGEM DE POSIÇÃO, acabou herdando-lhe o nome ( CABALLUS).

“Seja qual for a evolução que o porvir lhe reserve, existirá sempre uma Cavalaria, isto é, uma Arma mais rápida que o conjunto do corpo de batalha, cuja missão será reconhecer, manobrar, perseguir, e que, levada pelo cavalo ou pela máquina, encontrará sempre o sucesso na audácia, na velocidade, na surpresa; Arma que, em suma, deverá sempre ostentar o espírito cavaleiro com tudo que este espírito encerra: decisão, lealdade, elegância no uniforme e no caráter, amor aos lances perigosos.”

Palavras do Gen. Weygand expressas no prefácio do livro Sabre Au Poing, de Marcel Dupont, versão traduzida para o português por Valentim B. da Silva, em 1937, ainda são atuais.