1. O CAVALO COMO ARMA DE GUERRA

O cavalo passou a Ter uma participação importante na história da humanidade, desde que o homem passou a utilizá-lo em seu benefício particular.

É raro o país onde o cavalo não tenha tido influência significativa em sua história.

Há muitos séculos atrás, quando um grupo de homens ou uma tribo se reunia para combater o inimigo, sabiam da importância do comando e do controle no combate, por isso elegiam um chefe para conduzi-los à batalha. Naquele tempo, a força bruta, a agilidade, o vigor, a resistência e a destreza no manejo das armas eram os atributos mais exigidos dos guerreiros. Mais tarde, com o objetivo de preservar a sua resistência para o momento principal do combate, os homens passaram a utilizar carros e cavalos como meio de transporte.

O homem em suas migrações têm influenciado na disseminação do cavalo por todo o mundo e na mistura de todas as suas raças.

Os cavalos na guerra tem sido mais empregados para o combate do que no transporte de cargas.

Os principais povos da antigüidade, como os mongóis e os arianos, domesticaram o cavalo e o empregaram como arma de guerra, como montaria ou para tracionar seus carros de guerra, protagonizando a grande aventura na mudança da situação política no mundo.

Em várias regiões da Terra apareceram vestígios, tanto escritos como materiais, que, com a devida reserva de cada caso, tem servido para localizar-se cronologicamente, o início do emprego do cavalo como arma de guerra.

Na história chinesa do reino de Hwan -Te, encontramos uma antiga obra “O Rei Shoo”, que fala de Yauo, em 2848 AC, conduzindo um carro tracionado por cavalos brancos.

A primeira menção bíblica do cavalo se encontra no capítulo 50 do Gêneses, onde se relata que os carros de guerra e os cavaleiros do exército do faraó acompanharam José para deixar o corpo de seu pai em Canaã, aproximadamente em 1690 AC.

A Bíblia volta a mencionar a cavalaria do faraó em 1491 AC, na perseguição dos israelitas até o Mar vermelho, onde morreram afogados todos os cavaleiros e cavalos do exército.

O que se conhece hoje dos cavalos, cavaleiros e carros de guerra dessa época está gravado nos baixos-relevos descobertos nas ruínas de templos, palácios e cidades descobertas por arqueólogos no século XIX e século XX.

Zaratustra, nos livros do Zend – Avesta, relata como os arianos e os mongóis domesticaram os cavalos na Ásia Central, disseminando-os pelos demais povos, que só conheciam os asnos.

Um pouco da história da cavalaria

Ten Cel Cav Nilson Vieira Ferreira de Mello

É provável que o combatente montado tenha surgido como resposta à conveniência de se obter uma posição dominante sobre o adversário, na luta corpo a corpo. Essa categoria especial de guerreiros, utilizando elefantes, camelos, carros de guerra ou cavalos, adquiriu, a par da vantagem da dominância, extraordinária mobilidade e potência de choque.

Estavam assim delineadas as características que iriam propiciar o surgimento e o desenvolvimento da cavalaria como Arma.

É curioso notar que o termo “Cavalaria” não deriva – segundo afirmam abalizados pesquisadores – do vocábulo “cavalo”. Este animal era chamado pelos romanos de “aequidus”. Cavalaria viria de “cava”, espécie de lança longa com que eram armados os guerreiros que combatiam montados. Com a vulgarização do equídeo como meio de condução daqueles guerreiros, o próprio animal teria passado a chamar cavalo e as formações de combatentes montados, de cavalaria.

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O cavalo que “Proclamou a República”

M. Pio Corrêa (Embaixador e oficial de Cavalaria)

Fonte: Revista do Exército Brasileiro Vol 135 – 2º Trimestre de 1997.

As repúblicas americanas devem, em geral, a sua independência a um herói nacional e a seu cavalo. Por isso, com justa razão, a posteridade reconhecida eleva monumentos a esses heróis e a seus cavalos homenageados juntos na estatuária oficial, como se pode ver nas praças principais das cidades do Continente. Merecida homenagem, decerto, àqueles cavalos ilustres; poder-se-ia dizer deles, ’’inda que mal comparando’’, o que disse Santa Joana D’Arc do seu estandarte, quando fez questão de tê-lo a seu lado na catedral de Reims durante a solenidade da sagração do Rei Carlos VII: “Já que partilhou os riscos, é justo que participe das honras”.

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Os olhos tristes do capitão

Maj Cav Roberto M. O. Mafra

(Fonte: Revista da Turma de 1972 da AMAN)

– Atacar!

… e o esquadrão de carros de combate lançou-se para afrente, sulcando as areias em busca da posição inimiga, em busca da vitória.

Da torre de seu carro, o Capitão observava seus homens correndo, voando em suas máquinas, armas vomitando fogo em meio às explosões das granadas inimigas…

…e havia ansiedade nos olhos tristes do Capitão…

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As forças morais- O Chefe – Os quadros – A Tropa- Deveres no combate

(Texto retirado do Regulamento para os Exercícios e o Combate da Cavalaria. 2ª Parte, 1942)

58. O combate e, antes de tudo, uma luta moral. Em igualdade de força, valor técnico e organização material, a vitória caberá de modo definitivo, a quem conservar moral elevado.

Os fatores mais poderosos do bom êxito são:

– o patriotismo

– a honra

– a disciplina, que multiplica as forças, assegurando-lhe a coesão e o emprego consoante a vontade do chefe.

– o espírito de sacrifício e o desprezo ao perigo, que geram o desapego à vida, quando se trate dos interesses da pátria e da salvação do Exército;

– a camaradagem de combate, que faz que o homem se devote aos companheiros;

– a vontade de atuar, a tenacidade e a audácia; o espírito ofensivo de que todos devem estar animados, desde o cavaleiro que opera isolado, até o chefe de grandes unidades.

Alcançar o adversário, batê-lo e aproveitar o êxito até seu esgotamento completo devem ser sempre a idéia dominante.

A variedade de funções que cabem à cavalaria, a importância das missões que podem tocar até as menores de suas unidades e a necessidade, imposta a seus elementos, de operar em grandes frentes, sem ligações entre si ou com o comando, exigem em todos os postos da hierarquia compreensão prática e ampla do modo de conduzir as operações, sentimento militar esclarecido, espírito de iniciativa e amor das responsabilidades que caracterizam, em todas as eras, os verdadeiros cavaleiros.

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Adeus ao Nobre Amigo

Texto de Gen. Ex R/1 Ênio Gouvêa dos Santos

(Revista do Clube Militar Nº 277/86)

Preparar para montar! A cavalo!”

Esta voz de comando não mais será ouvida em nossas Unidades de Cavalaria. Melhor dizendo, apenas três Regimentos a ouvirão. Uma recente portaria do Ministro do Exército desativou as últimas unidades hipomóveis de nossa Arma, permanecendo apenas como hipomóveis os Regimentos de Cavalaria de Guarda: o Regimento Andrade Neves, o Regimento Osório e os Dragões da Independência:

Não há como discutir a lógica e o acerto da decisão ministerial.

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