Achegas

1

Este trabalho é o resultado de uma longa pesquisa sobre a Cavalaria. A forma como é a apresentação justifica-se pela sua origem e finalidade.

Em fevereiro de 1955 tomei conhecimento do propósito do Conselho da Fundação Parque Histórico Marechal Manoel Luis Osorio de concretizar uma antiga decisão: instalar no “Parque Osorio” o santuário da Cavalaria, um Museu da Cavalaria.

Tendo visitado detalhadamente, quando Adido Militar em BONN/RFA, inúmeros museus em toda a Europa então Ocidental (com destaque para os museus ALEMÃO em Munique e MILITAR em Paris), bem como nos Estados Unidos (com destaque para os de Washington) e na Grécia, e tendo adquirido alguma experiência na montagem de um pequeno museu no CPOR de Porto Alegre, que estava prestes a comemorar 50 anos de existência quando o comandei e, posteriormente, já na reserva, planejando e coordenando a montagem de um museu de maior porte, Museu de Armas, com assistência de competentes museólogos da Secretaria de Cultura, com os quais muito aprendi; apresentei-me como colaborador para o planejamento do Museu da Cavalaria no “Parque Osório”.

Neste sentido, elaborei quatro estudos, como sugestões, nos quais enfatizei, como premissa básica:

Trata-se de organizar a exposição permanente de forma a proporcionar ao visitante uma visão documentada e cronológica da evolução histórica da Cavalaria no Brasil.”

Decorrem da adoção dessa premissa básica:

– a exclusão da solução de uma exposição permanente em que simplesmente se expõe peças antigas ou curiosas, sem que estejam contidas em um contexto histórico amplo e bem definidas;

– que o roteiro da exposição permanente irá impor o acervo necessário, e não que um acervo existente redundará em um roteiro;

– que haverá necessidade de uma busca orientada e seletiva de peças autênticas para o acervo da exposição permanente;

– que haverá maior necessidade de réplicas, maquetes, fac-símiles de documentos, mapas, desenhos e pinturas, fotografias, painéis (inclusive fotográficos), etc., para a exposição permanente.

– que o planejamento da exposição permanente imporá um estudo aprofundado e abrangente dos temas e assuntos a serem expostos, e a definição criteriosa da área a ser ocupada por cada um, em função de sua importância dentro do contexto geral da exposição;

– que avulta a importância de ser criado, prioritariamente, um Setor de Pesquisa bem estruturado e ativo.

IMAGEM 1_0002

Vale lembrar que um museu corretamente montado, a PESQUISA é a principal atividade, da qual decorrem todas as demais!

O setor de Pesquisa deve estar em condições de responder a todas as indagações pertinentes ao objetivo atribuído ao museu no caso definido na premissa básica acima: “proporcionar uma visão documentada e cronológica da evolução histórica da Cavalaria no Brasil, objetivo a ser alcançado, de um modo geral, mas abrangente, através da exposição permanente, e de uma forma mais detalhada, através de exposições temporárias (no próprio museu ou itinerante), ou ainda através de palestras, audiovisuais ou de colaborações em periódicos e outras publicações”.

O setor de Pesquisa deve também estar em condições de assessorar autores e produtores de novelas e filmes, bem como a imprensa, em assuntos relativos ao objetivo do museu.

Os acervos de documentos e iconográfico, a biblioteca, bem como a reserva técnica, em princípio, devem estar à disposição dos pesquisadores.

Além de ter obtido junto ao Departamento de Material Bélico a doação e remessa para Porto Alegre de armas, nas suas quase totalidades vinculadas à história mais recente da nossa Cavalaria, mandei para a FPHMMLO vários livros, alguns cópias fac-símile por mim copiados e montados, inclusive de obras raras, como ponto de partida para uma biblioteca especializada em assuntos pertinentes à Cavalaria, comecei a organizar, no final de 1995, um banco de dados, bem como acervos de documentos e iconográfico, na forma por mim sugerida em estudo enviado à FPHMMLO (Sugestões para o funcionamento do Setor de Pesquisa do Museu da Cavalaria do Exército Brasileiro, 24 Nov 1995), contando o banco de dados atualmente com cerca de 2000 fichas. E em meados de 1996 comecei a elaborar as ACHEGAS PARA A HISTÓRIA DA CAVALARIA NO BRASIL.

É um tratado que pode ser considerado artesanal. E isto foi intencional, para mostrar que Não é necessário dispor de uma estrutura sofisticada para realizá-lo: computadores, datilógrafos, desenhistas, etc.; nem de verbas vultosas, todas as despesas, inclusive com cópias, estão sendo por minha conta. O importante é a vontade de fazer!

Estas “achegas” são um trabalho “em aberto”. Procurei uma forma que permitisse serem sempre completadas. E que não fosse necessário elabora-las em sequencia cronológica. As folhas ou grupos de folhas que abordam um mesmo tópico estão sendo ou serão consolidadas por textos o mais simples possível.

Julguei mais útil a cópia, integral ou sob forma de extratos, de tópicos contidos em publicações impressas.

Procurei fazer um trabalho ricamente ilustrado, com vista ao trabalho de pintores e desenhistas; por isso há, muitas vezes, mais de uma ilustração referente a um mesmo item.

Com vista à confecção de maquetes ou réplicas, há desenhos “técnicos” em escala.

Sendo um trabalho em “aberto”, não há índice; entretanto, todas as folhas são identificadas, ao alto, pelo ano e assunto, facilitando a sua rápida localização, bem como o acrécimo de novas folhas.

Utilizei neste trabalho um grande número de dados que vinha colecionando ao longo da vida; a rigor, iniciei este trabalho em 1941, dois anos antes de ingressar no Exército, na Escola Preparatória de São Paulo (1943). Organizava desde então, álbuns de recortes da imprensa, sobre a nossa Marinha, nosso Exército e nossa Força Aérea. Várias fotografias, bem como desenhos que fiz em 1942, estão reproduzidos nestas “achegas”.

Brasília não é o local ideal para um trabalho dessa natureza. Muito mais fontes de consulta são encontradas no Rio de janeiro. Consultei as bibliotecas do Senado (inclusive seu arquivo histórico), da Câmara federal, da UNB, do Itamaraty em Brasília e da Imprensa Nacional. Nesta última, consegui xerocar o Regulamento Beresford para a Cavalaria, de 1816, reimpresso no Brasil em 1852. A grande e principal fonte de consulta foi o C Doc do exército, em particular a sua Biblioteca.

…………………………

ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO

Estas achegas compreendem:

a. uma INTRODUÇÃO, um pouco longa, abordando:

– notícias sobre os combatentes montados na PRÉ-HISTÓRIA e na ANTIGUIDADE;

– notícias sobre A CAVALARIA MEDIEVAL;

– uma apreciação sobre A CAVALARIA NOS SÉCULOS XVI E XVII;

– uma apreciação mais detalhada sobre A CAVALARIA NOS SÉCULOS XVIII E XIX (na Europa, menos Portugal, e em outros continentes);

– A CAVALARIA NO SÉCULO XX (menos em Portugal);

– A CAVALARIA EM PORTUGAL;

– a ETMOLOGIA E USO DA PALAVRA CAVALARIA.

Esta introdução nos permite avaliar:

– a formação e consolidação do “espírito da cavalaria ao longo dos séculos”;

– a influência de Portugal na origem e evolução da cavalaria no Brasil;

– a influência da cavalaria de outros países, particularmente da Europa, nos séculos XVI a XIX, e na primeira metade do século XX;

– a nossa Cavalaria, em comparação com a de outros países.

b. A evolução da nossa Cavalaria nos cinco séculos da nossa história, abordada nos seus múltiplos aspectos.

Esta evolução foi dividida em nove períodos, cada um precedido de uma “caracterização do período”, com informações sobre o Brasil e o mundo NE época abordada, colocando o tema dentro de um contexto mais amplo.

Repito que não pretendi escrever um livro sobre a Cavalaria; o meu objetivo foi o de reunir subsídios, “coisas da Cavalaria”, como contribuição para a montagem de um museu da nossa Cavalaria, e temos esperança que esta justa aspiração ainda venha a se concretizar.

Viva a Cavalaria!

Festa na cavalhada…

Gen Bda R1 Hans Gerd Haltenburg