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Este trabalho é o resultado de uma longa pesquisa sobre a Cavalaria. A forma como é a apresentação justifica-se pela sua origem e finalidade.

Em fevereiro de 1955 tomei conhecimento do propósito do Conselho da Fundação Parque Histórico Marechal Manoel Luis Osorio de concretizar uma antiga decisão: instalar no “Parque Osorio” o santuário da Cavalaria, um Museu da Cavalaria. Continuar lendo

Bota Velha “O Velho Borzega”

Velha bota estropiada,

de enfrentar tanta refrega,

és símbolo d’arma montada,

irmã do “Velho Borzega”.

Cano longo, curto, ou de fole,

vaqueta, couro e de cromo,

não tivestes vida mole,

nas andanças do teu dono.

Nas linhas do teu traçado,

n’altura do teu talão,

tens o cano esbranquiçado,

pelo suor do “amigão”.

Pois na cor preta desbotada,

em contato com os baixeiros

pulsa o coração da montada,

na união com o cavaleiro.

Hoje, não tão firme nos cascos,

recordo o passado onde mora,

tanta festança, o churrasco

que te brindei com uma espora.

E tu, faceira, elegante,

prenda desfilando em salão,

tocaste comigo para frente,

em parada, manobra, instrução.

Lembro quando eras bem nova,

ao ressoarem as trombetas,

enquadravas a montada para prova,

até que viessem as rosetas.

E se hoje, velha, te amolo,

é que muita tacada te devo,

nas pexadas, nas correrias do pólo,

que nem de lembrar eu me atrevo.

Mas… o tempo passou e de repente,

as baias viraram garagem,

se foi o culote, o rebenque,

os cavalos viraram miragem.

Mecanizado… se foi o tempero,

os potreiros, a carriére, o tropel,

os relinchos, da forragem o cheiro,

virou um silêncio o quartel.

Quando as tardes se vão, a largo,

sorvendo o meu chimarrão,

sinto, no relinchar do amargo,

a cincha da recordação.

Esporeado na Ilharga,

velho matungo invernado,

recordo a última carga,

que não respeitou o alambrado.

Ouço então dentro de mim

como lançaço, um toque repicar,

é uma ordem, quem resiste a um clarim?

Mandando o esquadrão avançar!

Te calço, Bota Velha, não te faças de rogada

não te dispenso, p’reste galope imaginário,

vejas nesta carga, em disparada,

lá na frente, vai Osório, o legendário.

Poesia do Cel Inf Pedro Américo Leal declamada pelo autor pela primeira vez em 24 de agosto de 1991, na reunião da Confraria dos Camaradas de Cavalaria – 3C – POA/RS.

Fonte: Era uma vez na Cavalaria – Geraldo Lauro Marques, Editora Alcance.

Os olhos tristes do Capitão

os olhos tristes do capitao

– Atacar!

… e o esquadrão de carros de combate lançou-se para afrente, sulcando as areias em busca da posição inimiga, em busca da vitória.

Da torre de seu carro, o Capitão observava seus homens correndo, voando em suas máquinas, armas vomitando fogo em meio às explosões das granadas inimigas…

…e havia ansiedade nos olhos tristes do Capitão… Continuar lendo

O cavalo que “Proclamou” a República

As repúblicas americanas devem, em geral, a sua independência a um herói nacional e a seu cavalo. Por isso, com justa razão, a posteridade reconhecida eleva monumentos a esses heróis e a seus cavalos homenageados juntos na estatuária oficial, como se pode ver nas praças principais das cidades do Continente. Merecida homenagem, decerto, àqueles cavalos ilustres; poder-se-ia dizer deles, ’’inda que mal comparando’’, o que disse Santa Joana D’Arc do seu estandarte, quando fez questão de tê-lo a seu lado na catedral de Reims durante a solenidade da sagração do Rei Carlos VII: “Já que partilhou os riscos, é justo que participe das honras”. Continuar lendo

Aspirante de Cavalaria

A spirante! – Quanta alegria e emoção

S into ao recordar aquele dia

P rimeiro, em que recebi meu pelotão,

I niciando a vida como Oficial de Cavalaria!

R ecrutas, cavalos, material e armamento,

A gora estavam sob meu controle e comando

N aquele saudoso e antigo Regimento,

T ão querido antes como agora o recordando

E revivendo fatos nestes anos que vão passando!

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Adeus ao Nobre Amigo

Texto de Gen. Ex R/1 Ênio Gouvêa dos Santos

(Revista do Clube Militar Nº 277/86)

“Preparar para montar! A cavalo!”

Esta voz de comando não mais será ouvida em nossas Unidades de Cavalaria. Melhor dizendo, apenas três Regimentos a ouvirão. Uma recente portaria do Ministro do Exército desativou as últimas unidades hipomóveis de nossa Arma, permanecendo apenas como hipomóveis os Regimentos de Cavalaria de Guarda: o Regimento Andrade Neves, o Regimento Osório e os Dragões da Independência:

Não há como discutir a lógica e o acerto da decisão ministerial.

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